E.L.A. se apaixonou por ele e nós somos apenas coadjuvantes.

E.L.A., por volta de 2006, entrou na vida dele sem ser convidada, sem pedir licença, sem bater na porta, de intrometida mesmo! Ele não entendeu nada, nem os coadjuvantes, nem os  especialistas.

E.L.A. judia muito dele, mas ele não faz nada, pois não tem força para encará-la.

E.L.A.  começou deixando suas pernas bambas e logo depois o deixou imobilizado, sem dar um passo para o futuro, mas para que futuro?

Depois, E.L.A. o encheu de dor e o deixou dependente de remédios.

Até mesmo para dormir ele não fica sem E.L.A. Ele já não consegue virar sozinho na cama, nessa hora E.L.A. não ajuda em nada, fica apenas sentada ao seu lado assistindo a manobra,  enquanto um dos coadjuvantes faz o favor de virá-lo

E.L.A. o acompanha diariamente, não o deixa nem um segundo sequer.  Malvada! Aterradora!

E nós, coadjuvantes dessa paixão avassaladora, unilateral, assistimos com muito pesar e não podemos fazer quase nada, só ficar do lado dele tentando diminuir a presença d’ E.L.A.

O próximo passo d’ E.L.A. foi deixa-lo mudo, quase sem voz, sem a capacidade de comunicação oral e comendo na mão d’ E.L.A. e a comida que E.L.A. determina, são só papinhas, inclusive a água tem que ser espessa.  A língua, como é um musculo, também fica sem reação, paralisa diante d’E.L.A.

Hoje soubemos da ação futura d’ E.L.A., que a de deixa-lo sem comer, só poderá comer através de um tubo que E.L.A. vai fazer o favor de enfiar no seu estomago (gastrostomia). Talvez, não seja  essa a única  ação cruel, E.L.A. pode vir com mais crueldade e maldade para colocar também um tudo na traqueia (traqueostomia)  para que ele respire só com E.L.A. e para E.L.A.

No caso dele E.L.A. é mais lenta, parece que faz tudo de caso pensado e de propósito.

Nós, os coadjuvantes, não vislumbramos nenhuma saída d’ E.L.A. da vida dele, embora ele diga que a passagem d E.L.A não demorará muito.

Ele já não aguenta mais essa convivência diária com E.L.A. reclama todos os dias, fica triste, se deprime, não dorme direito, só consegue porque E.L.A.  traz uns amigos indesejáveis para lhe fazer companhia, um tal de Riluzol, uma tal de Amitriptilina. Ô gente sem graça que nem gente é!

Ele diz que se for para viver desse jeito com E.L.A. ele desiste dessa paixão, que ele nem pediu que começasse e prefere desistir da vida.

Quem é essa E.L.A.?

Conto para vocês. 

E.L.A. é a sigla de Esclerose Lateral Amiotófrica  uma enfermidade neurológica degenerativa que não tem cura, que nenhum especialista sabe a causa,  é como o dedo de Deus determinando quem vai tê-la, ele aponta e diz quem é o próximo da fila.  Caso ainda raro, um entre cem mil sofre com essa enfermidade que mata lentamente, pois o cérebro não manda mais estímulos para os músculos que atrofiam é só uma questão de tempo para chegada do final do ato de viver.

Por que escrevi tudo isso?

Porque meu tio materno e meu compadre, Luiz Carlos, sofre com essa enfermidade.  Cada dia que passo com ele ou que vou com ele a rede SARA volto com milhões de questionamentos e sem certeza de quase nada. As duas únicas certezas são: devemos viver um dia de cada vez com calma e qualidade;  e a de quem  estiver ao lado de uma pessoa nessas condições se torna outro ser humano, ainda não sei como, mas já sei que mudei. Já convivi com  vários entes queridos que tinham enfermidades terminais, mas nada parecido com E.L.A. onde o paciente fica refém de si mesmo. Tem que recriar o mundo, descobrir coisas novas para diminuir a dor física, emocional e espiritual. 

Este slideshow necessita de JavaScript.

Se quiser saber mais sobre ela acesse o Blog: Ya no puedo pero… !AÚN PUEDO!  de Raúl Miranda clicando aqui

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

You are commenting using your Facebook account. Sair / Alterar )

Connecting to %s